A maior referencia do
Jazz, Billie Holiday ,faria hoje 100 anos!
Lady Day, como também era conhecida, deixou esse mundo aos 44 e mesmo após tanto tempo de
sua morte, e uma vida tão curta, a cantora é lembrada e aclamada como uma das
maiores que esse planetinha azul já teve.
As comemorações ao redor do mundo são muitas e o Culturando não podia ficar de fora nessa data tão especial, então dá o play e vem com a gente!
Homenagens e
comemorações
Ontem em Portugal,
foi lançada a antologia The Centennial Collection, que reúne 20 canções que
marcaram o seu percurso, editadas originalmente entre 1935 e 1945, entre elas
Strange fruit, All of me, When a man loves a man, Summertime ou God bless the
child.
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| Reprodução/Google |
O mítico teatro
Apolo, no Harlem, a incluirá hoje em sua Calçada da Fama, onde já estão Ella
Fitzgerald, James Brown, Gladys Knight & the Pips, Etta James e Louis
Armstrong.
"Sua voz e sua
presença foram rapidamente consolidadas na cultura popular, o que a tornou a
cantora mais influente do jazz em sua época e uma das cantoras mais apreciadas
do século", afirmou o produtor executivo do Apolo, Mikki Shepard, quando
da divulgação da estrela para a cantora.
Também nesta
terça-feira, uma das cantoras de jazz mais consagradas do nosso tempo,
Cassandra Wilson, lança também o álbum tributo Coming Forth by Day, onde recria
algumas das canções mais conhecidas de Billie, o mesmo sucedendo com José
James, que através da histórica Blue Note edita o álbum Yesterday I Had the
Blues: The Music of Billie Holiday.
A pianista Lara Downes
não ficou de fora e homenageia a cantora em "A Billie Holiday
Songbook", numa das muitas comemorações previstas para este mês.
Quem também atuará em
sua homenagem é a cantora Cecile McLorin, no Lincoln Center de Nova Iorque, a
10 e 11 de Abril. Ao mesmo tempo foi lançada uma biografia (Billie Holiday: The
Musician and the Myth) de John Szwed, que já havia escrito sobre Miles Davis.
Por sua vez, o
nova-iorquino Lincoln Center programou dois shows em que Cécile McLorin Salvant
cantará Billie Holiday, e de 7 a 10 de abril acontecerá o "Billie Holiday
Festival" em diversas salas de Nova York.
História triste
Nascida Eleanora
Fagan Gough, em 7 de abril de 1915, na Filadélfia, Pensilvânia, foi criada em
Baltimore por pais adolescentes. Quando nasceu, seu pai, Clarence Holiday,
tinha quinze anos de idade e sua mãe, Saddy Fagan, apenas treze.
Seu pai, guitarrista
e banjoísta, abandonou a família quando Billie ainda era bebê, seguindo viagem
com uma banda de jazz. Sua mãe, também inexperiente, freqüentemente a deixava
com familiares.
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| Reprodução/Google |
Menina americana
negra e pobre, Billie passou por todos os sofrimentos possíveis. Aos dez anos
foi violentada sexualmente por um vizinho, e internada numa casa de correção
para meninas vítimas de abuso.
Aos doze, trabalhava
lavando o chão de prostíbulos. Aos quatorze anos, morando com sua mãe em Nova
York, caiu na prostituição.
Carreira
Aos 14 anos, sua mãe
e ela estavam ameaçadas de despejo por falta de pagamento de sua moradia,
Billie sai à rua em desespero, na busca de algum dinheiro. Entrando em um bar
do Harlem, ofereceu-se como dançarina, mostrando-se um desastre. Penalizado, o
pianista perguntou-lhe se sabia cantar. Billie cantou e saiu com um emprego
fixo
.
Nunca teve
aprendizagem formal. O seu método era empírico. Em palco era luminosa. Fora
dele tinha de lidar com uma realidade por vezes cruel, que viria a refletir em
canções como My man ou Ain’t nobody's business.
Após três anos
cantando em diversas casas, atraiu a atenção do crítico John Hammond, através
de quem ela gravou seu primeiro disco, com a big band de Benny Goodman.
Era o real início de
sua carreira. Começou a cantar em casas noturnas do Harlem (Nova York), onde
adotou seu nome artístico.
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| Reprodução/Google |
Cantou com as big
bands de Artie Shaw e Count Basie. E foi uma das primeiras negras a cantar com
uma banda de brancos, em uma época de segregação racial nos Estados Unidos
(anos 1930). Consagrou-se apresentando-se com as orquestras de Duke Ellington,
Teddy Wilson, Count Basie e Artie Shaw, e ao lado de Louis Armstrong. Billie
Holiday foi uma das mais comoventes cantoras de jazz de sua época. Com uma voz
etérea, flexível e levemente rouca, Sua dicção, seu fraseado, a sensualidade à
flor da voz, expressando incrível profundidade de emoção, a aproximaram do
estilo de Lester Young, com quem, em quatro anos, gravou cerca de cinquenta
canções, repletas de swing e cumplicidade. Lester Young foi quem lhe apelidou
"Lady Day".
Pouco antes de sua morte por overdose de drogas, Billie Holiday publicou sua autobiografia em 1956, Lady Sings the Blues, a partir da qual foi feito um filme, em 1972, tendo Diana Ross no papel principal1
Morte
A partir de 1940,
apesar do sucesso, Billie Holiday, sucumbiu ao álcool e às drogas, passando por
momentos de depressão, o que se refletia em sua voz.
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No início de 1959, Billie soube que tinha cirrose
hepática. O médico disse-lhe para parar de beber, o que fez por pouco tempo,
mas logo voltou a beber pesado. Em maio, havia perdido quase dez quilos. Seus
amigos Leonard Feather, Joe Glaser e Allan Morrison tentaram levá-la para um
hospital, mas ela descartou-os.
Em 31 de maio de 1959, Billie foi levada para o
Hospital Metropolitano, em Nova York, com problemas hepáticos e cardíacos.
Recebeu voz de prisão por posse de drogas enquanto estava no hospital, sendo
seu quarto invadido pelas autoridade. Billie Holiday permaneceu sob guarda da
polícia no hospital até que morreu de edema pulmonar e insuficiência cardíaca
causada por cirrose hepática, em 17 de julho de 1959.
Nos últimos anos de vida, havia sido progressivamente
enganada nos seus ganhos e morreu com 70 centavos de dólar no banco e 750
dólares (pagos por um tablóide) por um artigo sobre sua pessoa. A cerimônia
fúnebre foi realizado na Igreja de São Paulo Apóstolo, em Nova York.
Último trabalho
Gilbert Millstein, do jornal The New York Times,
que tinha sido o narrador dos shows de Billie Holiday no Carnegie Hall, em
1956, e escrito parte da contracapa do álbum O Essencial de Billie Holiday,
descreveu a morte dela na contracapa do mesmo álbum, relançado em 1961:
"Billie
Holiday morreu no Hospital Metropolitano, em Nova York, na sexta-feira, 17 de
julho de 1959, na cama em que havia sido presa pouco mais de um mês antes, já
mortalmente doente, por posse ilegal de narcóticos; no quarto de onde um
policial havia se retirado - por ordem judicial - apenas algumas horas antes de
sua morte, que, como sua vida, foi desordenada e lamentável. Havia sido
belíssima, mas desgastou-se fisicamente a uma reduzida e grotesca caricatura de
si mesma. Os vermes de todos os tipos de excesso - drogas eram apenas um -
tinham-na devorado... A probabilidade existe de que - entre os últimos
pensamentos desta mulher cínica, sentimental, profana, generosa e muito
talentosa de 44 anos - estava a crença de que seria acusada na manhã seguinte.
Ela teria sido, eventualmente, embora talvez não tão rapidamente.
Em qualquer caso, ela retirou-se, finalmente, da jurisdição de qualquer
tribunal terreno."
Onde estiver Lady Day, feliz aniversário e obrigada!




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