terça-feira, 7 de abril de 2015

O centenário de Billie Holiday

A maior referencia do Jazz, Billie Holiday ,faria hoje 100 anos!

Lady Day, como também era conhecida, deixou esse mundo aos 44 e mesmo  após tanto tempo de sua morte, e uma vida tão curta, a cantora é lembrada e aclamada como uma das maiores que esse planetinha azul já teve.

As comemorações ao redor do mundo são muitas e o Culturando não podia ficar de fora nessa data tão especial, então dá o play e vem com a gente! 



Homenagens e comemorações



Ontem em Portugal, foi lançada a antologia The Centennial Collection, que reúne 20 canções que marcaram o seu percurso, editadas originalmente entre 1935 e 1945, entre elas Strange fruit, All of me, When a man loves a man, Summertime ou God bless the child.

Reprodução/Google
O mítico teatro Apolo, no Harlem, a incluirá hoje em sua Calçada da Fama, onde já estão Ella Fitzgerald, James Brown, Gladys Knight & the Pips, Etta James e Louis Armstrong.
"Sua voz e sua presença foram rapidamente consolidadas na cultura popular, o que a tornou a cantora mais influente do jazz em sua época e uma das cantoras mais apreciadas do século", afirmou o produtor executivo do Apolo, Mikki Shepard, quando da divulgação da estrela para a cantora.


Também nesta terça-feira, uma das cantoras de jazz mais consagradas do nosso tempo, Cassandra Wilson, lança também o álbum tributo Coming Forth by Day, onde recria algumas das canções mais conhecidas de Billie, o mesmo sucedendo com José James, que através da histórica Blue Note edita o álbum Yesterday I Had the Blues: The Music of Billie Holiday.

A pianista Lara Downes  não ficou de fora e homenageia a cantora em "A Billie Holiday Songbook", numa das muitas comemorações previstas para este mês. 

Quem também atuará em sua homenagem é a cantora Cecile McLorin, no Lincoln Center de Nova Iorque, a 10 e 11 de Abril. Ao mesmo tempo foi lançada uma biografia (Billie Holiday: The Musician and the Myth) de John Szwed, que já havia escrito sobre Miles Davis.

Por sua vez, o nova-iorquino Lincoln Center programou dois shows em que Cécile McLorin Salvant cantará Billie Holiday, e de 7 a 10 de abril acontecerá o "Billie Holiday Festival" em diversas salas de Nova York.

História triste

Nascida Eleanora Fagan Gough, em 7 de abril de 1915, na Filadélfia, Pensilvânia, foi criada em Baltimore por pais adolescentes. Quando nasceu, seu pai, Clarence Holiday, tinha quinze anos de idade e sua mãe, Saddy Fagan, apenas treze.

Seu pai, guitarrista e banjoísta, abandonou a família quando Billie ainda era bebê, seguindo viagem com uma banda de jazz. Sua mãe, também inexperiente, freqüentemente a deixava com familiares.

Reprodução/Google
Menina americana negra e pobre, Billie passou por todos os sofrimentos possíveis. Aos dez anos foi violentada sexualmente por um vizinho, e internada numa casa de correção para meninas vítimas de abuso. 

Aos doze, trabalhava lavando o chão de prostíbulos. Aos quatorze anos, morando com sua mãe em Nova York, caiu na prostituição.

Carreira

Aos 14 anos, sua mãe e ela estavam ameaçadas de despejo por falta de pagamento de sua moradia, Billie sai à rua em desespero, na busca de algum dinheiro. Entrando em um bar do Harlem, ofereceu-se como dançarina, mostrando-se um desastre. Penalizado, o pianista perguntou-lhe se sabia cantar. Billie cantou e saiu com um emprego fixo
.
Nunca teve aprendizagem formal. O seu método era empírico. Em palco era luminosa. Fora dele tinha de lidar com uma realidade por vezes cruel, que viria a refletir em canções como My man ou Ain’t nobody's business.

Após três anos cantando em diversas casas, atraiu a atenção do crítico John Hammond, através de quem ela gravou seu primeiro disco, com a big band de Benny Goodman.

Era o real início de sua carreira. Começou a cantar em casas noturnas do Harlem (Nova York), onde adotou seu nome artístico.

Reprodução/Google
Cantou com as big bands de Artie Shaw e Count Basie. E foi uma das primeiras negras a cantar com uma banda de brancos, em uma época de segregação racial nos Estados Unidos (anos 1930). Consagrou-se apresentando-se com as orquestras de Duke Ellington, Teddy Wilson, Count Basie e Artie Shaw, e ao lado de Louis Armstrong. Billie Holiday foi uma das mais comoventes cantoras de jazz de sua época. Com uma voz etérea, flexível e levemente rouca, Sua dicção, seu fraseado, a sensualidade à flor da voz, expressando incrível profundidade de emoção, a aproximaram do estilo de Lester Young, com quem, em quatro anos, gravou cerca de cinquenta canções, repletas de swing e cumplicidade. Lester Young foi quem lhe apelidou "Lady Day".

Pouco antes de sua morte por overdose de drogas, Billie Holiday publicou sua autobiografia em 1956, Lady Sings the Blues, a partir da qual foi feito um filme, em 1972, tendo Diana Ross no papel principal1 

Morte

A partir de 1940, apesar do sucesso, Billie Holiday, sucumbiu ao álcool e às drogas, passando por momentos de depressão, o que se refletia em sua voz.

Reprodução/Google
No início de 1959, Billie soube que tinha cirrose hepática. O médico disse-lhe para parar de beber, o que fez por pouco tempo, mas logo voltou a beber pesado. Em maio, havia perdido quase dez quilos. Seus amigos Leonard Feather, Joe Glaser e Allan Morrison tentaram levá-la para um hospital, mas ela descartou-os.
Em 31 de maio de 1959, Billie foi levada para o Hospital Metropolitano, em Nova York, com problemas hepáticos e cardíacos. Recebeu voz de prisão por posse de drogas enquanto estava no hospital, sendo seu quarto invadido pelas autoridade. Billie Holiday permaneceu sob guarda da polícia no hospital até que morreu de edema pulmonar e insuficiência cardíaca causada por cirrose hepática, em 17 de julho de 1959.
Nos últimos anos de vida, havia sido progressivamente enganada nos seus ganhos e morreu com 70 centavos de dólar no banco e 750 dólares (pagos por um tablóide) por um artigo sobre sua pessoa. A cerimônia fúnebre foi realizado na Igreja de São Paulo Apóstolo, em Nova York.

Último trabalho

Gilbert Millstein, do jornal The New York Times, que tinha sido o narrador dos shows de Billie Holiday no Carnegie Hall, em 1956, e escrito parte da contracapa do álbum O Essencial de Billie Holiday, descreveu a morte dela na contracapa do mesmo álbum, relançado em 1961:

"Billie Holiday morreu no Hospital Metropolitano, em Nova York, na sexta-feira, 17 de julho de 1959, na cama em que havia sido presa pouco mais de um mês antes, já mortalmente doente, por posse ilegal de narcóticos; no quarto de onde um policial havia se retirado - por ordem judicial - apenas algumas horas antes de sua morte, que, como sua vida, foi desordenada e lamentável. Havia sido belíssima, mas desgastou-se fisicamente a uma reduzida e grotesca caricatura de si mesma. Os vermes de todos os tipos de excesso - drogas eram apenas um - tinham-na devorado... A probabilidade existe de que - entre os últimos pensamentos desta mulher cínica, sentimental, profana, generosa e muito talentosa de 44 anos - estava a crença de que seria acusada na manhã seguinte. Ela teria sido, eventualmente, embora talvez não tão rapidamente. Em qualquer caso, ela retirou-se, finalmente, da jurisdição de qualquer tribunal terreno."


Onde estiver Lady Day, feliz aniversário e obrigada! 


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